Um encontro com a história
As primeiras palavras.
Apressado, Lyron seguia pela trilha ao Portão Norte, pergaminhos sob o braço e vestes manchadas de tinta arcana. Levar aquela mensagem era uma tarefa banal, mas sagrada em seus olhos. Executava a ordem do mestre Arquisense com fervor, como se cada gesto o aproximasse do domínio da magia. O amanhecer pesava sobre a Vila de Lúmenbaixa, a névoa matinal adensando-se como se o próprio ar resistisse ao movimento, e um frio palpável percorria sua espinha.
Havia também outro motivo, menos nobre e mais íntimo: a lembrança da última vez em que improvisara. Um feitiço pequeno, “rápido”, feito para agradar um instrutor impaciente, terminara em fumaça e vergonha. Desde então, Lyron perseguia a mesma ideia com obsessão silenciosa. Se o mundo quebrava por descuido, ele não queria ser mais um descuido.
A sensação de ser observado por falhas invisíveis no mundo o acompanhava desde o despertar.
Trecho de A Ordem do Código Limpo · Kleber de Oliveira Andrade.
Uma amostra breve. Continue a leitura na edição completa.
